Como Cultivar Ervilha em Portugal: Sementeira e Colheita
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Guia adaptado a Portugal: épocas ideais, variedades trepadoras e anãs, preparação do solo, tutoramento, rega, nutrição, pragas, colheita.
Épocas recomendadas em Portugal
A ervilha (Pisum sativum) prefere clima fresco e húmido. Evita extremos de calor e geadas severas, sendo ideal para outono-inverno-primavera na maior parte do território nacional.
Janelas principais: Setembro–Novembro (outono) e Fevereiro–Abril (final inverno/primavera).
Evitar: Sementeiras em pleno verão (>30°C) e durante geadas intensas (variedades menos resistentes).
Ciclo médio: 60–90 dias para vagens tenras; 100–120 dias para grão seco.
💡 Dica regional
Norte/Centro: outono (Set–Out) para colheita primaveril; primavera (Mar–Abr) para colheita de final de primavera.
Montanha: aguardar fim das geadas severas (Mar–Abr) ou proteger com túnel.
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Variedades & tipos
Escolha a variedade conforme espaço disponível, tipo de suporte e objetivo de uso (consumo fresco de vagens ou produção de grão seco).
🌿 Anãs (40–60 cm)
'Alderman': resistente, boa produção
'Sugar Ann': vagens comestíveis (torta)
'Early Frosty': resistente ao frio
Ideal para: recipientes, espaços pequenos, menor necessidade de tutores
🧗 Trepadoras (1,5–2m)
'Telefone': vagens grandes, alta produção
'Sugar Snap': vagens doces comestíveis
'Carouby de Maussane': vagens achatadas tenras
Ideal para: aproveitamento vertical, maior produção por m²
🎯 Escolha por objetivo
Vagens tenras (consumo fresco): colher cedo, variedades 'Sugar' ou 'Snap'.
Grão verde fresco: variedades tradicionais como 'Telefone' ou 'Alderman'.
Grão seco (conserva): deixar secar na planta, variedades de grão grande.
Espaços reduzidos: anãs em recipientes de 25–30 cm profundidade.
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Solo & Preparação
Ervilhas preferem solo bem drenado, franco a franco-argiloso, rico em matéria orgânica. Como leguminosa, fixa azoto atmosférico através de bactérias simbióticas (Rhizobium).
Incorporar composto bem curtido (10–15%) algumas semanas antes da sementeira.
Evitar solos encharcados (risco de apodrecimento das sementes) e muito ácidos.
pH alvo: 6,0–7,5 (ligeiramente ácido a neutro).
Rotação favorável: após brassicas (couve, nabo) ou solanáceas (tomate), antes de folhosas.
Sementeira
A ervilha semeia-se diretamente no local definitivo. As sementes são grandes e fáceis de manusear, com boa taxa de germinação em condições adequadas.
Preparar sulcos: 3–4 cm de profundidade, em linhas duplas distanciadas 15–20 cm (facilita tutoramento).
Espaçamento: 5–8 cm entre sementes na linha (anãs mais apertadas, trepadoras mais espaçadas).
Cobertura: cobrir ligeiramente com terra fina, sem compactar.
Rega inicial: humedecer com crivo fino, manter humidade sem encharcar.
Germinação: 7–14 dias conforme temperatura (ideal 10–18°C). Emergência mais rápida em solo aquecido mas não excessivo.
💡 Técnicas para melhor estabelecimento
Embebição prévia: demolhar sementes 6–12h em água morna acelera germinação.
Inoculação: aplicar inoculante de Rhizobium nas sementes melhora fixação de azoto.
Proteção inicial: túnel baixo ou manta térmica em sementeiras de outono/inverno.
Tutoramento
Fundamental para variedades trepadoras e recomendável até para anãs. Sistema de suporte adequado aumenta produção, facilita colheita e melhora circulação do ar.
🎋 Estacas simples
Bambus ou estacas de 1,5–2m
Espaçamento: a cada 1–1,5m
Fio horizontal a meia altura
Ideal para: linhas curtas, ervilhas anãs
🕷️ Rede treliça
Rede de malha 10–15cm
Esticada entre postes firmes
Altura 1,5–2m conforme variedade
Ideal para: trepadoras, aproveitamento máximo
🏗️ Estrutura A
Dois painéis inclinados unidos no topo
Permite cultivo em ambos os lados
Estável sem necessidade de ancoragem
Ideal para: canteiros centrais, máxima produção
Momento da instalação: antes da sementeira ou quando plantas atingem 10–15 cm. Ervilhas possuem gavinhas que se enrolam naturalmente nos suportes.
Rega & Manejo hídrico
Necessidades hídricas moderadas a altas, especialmente durante floração e enchimento das vagens. Evitar stress hídrico que reduz produção.
Frequência: 2–3 vezes por semana conforme clima (diariamente em períodos secos quentes).
Método: rega ao pé, evitando molhar excessivamente as folhas (prevenção de doenças fúngicas).
Fase crítica: floração e desenvolvimento de vagens (aumentar frequência nesta fase).
Sinais de stress: murcha nas horas mais quentes, flores que caem prematuramente.
💧 Gestão hídrica eficiente
Cobertura morta: palha ou composto seco reduz evaporação.
Rega profunda: melhor que regas superficiais frequentes.
Gotejamento: sistema ideal para automatização e economia de água.
Monitorização: verificar humidade do solo a 5–10 cm de profundidade.
Nutrição
Como leguminosa fixadora de azoto, a ervilha tem menores necessidades de azoto que outras culturas. Focar em fósforo e potássio para floração e desenvolvimento de vagens.
Base: composto na preparação do solo fornece nutrientes de libertação lenta.
Evitar: adubações azotadas excessivas que reduzem fixação natural e favorecem folhas em detrimento de vagens.
Complementar: chá de composto aerado diluído durante floração (quinzenalmente).
Inoculação: bactérias Rhizobium nas sementes maximizam fixação de azoto atmosférico.
Cobertura & Ervas
Gestão adequada de ervas e cobertura do solo melhora desenvolvimento e facilita manutenção.
Remoção de ervas: importante nas primeiras semanas quando plantas estão pequenas e mais vulneráveis à competição.
Cobertura morta: aplicar camada leve (3–5 cm) de palha ou material orgânico seco após estabelecimento.
Evitar: cobertura espessa encostada ao colo das plantas (risco de podridões).
Consórcios: pode ser cultivada junto com alface, rabanetes ou outras culturas de ciclo curto.
Pragas & Doenças
A ervilha é relativamente resistente, mas há pragas e doenças a vigiar, sobretudo em primaveras húmidas ou em sementeiras muito adensadas.
🦟 Pulgão-da-ervilha
Forma colónias nas pontas tenras e na página inferior das folhas, enfraquecendo a planta e favorecendo fungos através da melada que produz.
Prevenção: atrair joaninhas e outros predadores naturais (flores próximas), vigiar desde a emergência.
Controlo: jato de água forte para as derrubar ou sabão potássico diluído pulverizado nas colónias.
🍄 Míldio e oídio
Doenças fúngicas favorecidas por humidade elevada, folhagem molhada e má circulação de ar entre plantas.
Prevenção: espaçamento adequado, boa ventilação, rega ao pé sem molhar a folhagem.
Tratamento: calda bordalesa ou enxofre molhável, aplicados preventivamente ou aos primeiros sintomas.
🔍 Trips
Insetos minúsculos que raspam a superfície de folhas e flores, deixando manchas prateadas e deformações.
Deteção: armadilhas cromotrópicas azuis junto às plantas.
Controlo: reforçar o arejamento e remover ervas hospedeiras nas imediações.
🐞 Gorgulho-da-ervilha
Praga do grão: a larva desenvolve-se dentro da semente ainda no campo, tornando-se visível só mais tarde, já no grão seco armazenado.
Prevenção: colher o grão seco assim que estiver pronto, sem o deixar demasiado tempo na planta.
Desinfestação: congelar o grão seco durante 48 horas antes de guardar, para eliminar eventuais larvas.
Colheita & Armazenamento
O momento de colheita depende do objetivo: vagens tenras para consumo fresco, grão verde ou grão seco para conserva.