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Calendário de Tratamentos da Oliveira: Guia Época a Época
Vinha e Pomar · 4 de novembro de 2026

Calendário de Tratamentos da Oliveira: Guia Época a Época

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Calendário de tratamentos da oliveira em Portugal

No calendário de tratamentos da oliveira há dois momentos que valem mais do que todos os outros. O primeiro é o cobre depois da apanha, antes das chuvas fortes de inverno. O segundo é o cobre antes da floração, na primavera. Pelo meio, tratas as feridas da poda e vais vigiando a mosca, a traça e a cochonilha. Se fizeres isto bem, a oliveira do quintal raramente te dá sustos.

A boa notícia é que a oliveira é das árvores mais rijas que podes ter. A menos boa é que quase todos os tratamentos são preventivos. Quando vês as manchas do olho-de-pavão ou a azeitona podre da gafa, o fungo já entrou há semanas. Por isso este guia é um calendário: diz-te o que fazer em cada época, antes de o problema aparecer.

Resposta rápida: o que fazer à oliveira em cada época

Calendário de tratamentos da oliveira

Época Problema a vigiar O que fazer
Depois da apanha (nov–dez) Olho-de-pavão, gafa, tuberculose (feridas do varejo e cicatrizes da queda da folha) Cobre em toda a copa, em dia seco, antes das chuvas fortes. Tira as azeitonas mumificadas da árvore e as do chão
Inverno (dez–fev) Olho-de-pavão (infeta com chuva e tempo ameno); traça na geração das folhas Observa as folhas. Repete o cobre só se o aviso da DRAP o indicar. A traça nas folhas raramente pede tratamento
Poda (fev–abr) Tuberculose (ronha); copa fechada, que abriga a cochonilha Corta os ramos com tumores, desinfeta a tesoura e poda em tempo seco. Aplica cobre logo a seguir e repete depois de granizo
Primavera e floração (abr–jun) Olho-de-pavão e gafa (com as chuvas de primavera); traça na geração das flores; psila ("algodão") Segunda janela de cobre, antes de a flor abrir, e nunca em plena flor. Contra a traça, Bacillus thuringiensis só se o aviso o indicar
Verão (jun–ago) Cochonilha-negra (as larvas estão a sair); primeiros voos da mosca; traça a entrar no fruto pequeno Armadilhas para a mosca. Óleo de verão contra a cochonilha na data do aviso. Rega sem exageros
Fim do verão e outono (ago–out) Mosca-da-azeitona (pico); gafa (com as primeiras chuvas); queda de frutos causada pela traça Captura em massa, caulino ou isco autorizado em modo biológico, conforme o aviso. Cobre contra a gafa antes das chuvas, respeitando o intervalo de segurança. Apanha atempada

Os meses são intervalos. No Sul tudo se adianta umas semanas e em Trás-os-Montes e na Beira Interior tudo se atrasa. Quem diz o dia certo para a tua zona é a Estação de Avisos Agrícolas da DRAP, que publica circulares próprias para a oliveira.

Três regras valem para a tabela toda:

Depois da apanha: o tratamento que mais conta

Porque é que o cobre depois da apanha é a peça-chave do ano? Há três razões que se juntam na mesma época:

  1. A árvore está cheia de feridas. O varejo parte raminhos, e as folhas que caem deixam pequenas cicatrizes. É por aí que entra a bactéria da tuberculose.
  2. Chegam as chuvas e o tempo ameno. São as condições de que o fungo do olho-de-pavão precisa para infetar as folhas.
  3. A gafa ainda está na árvore, escondida nas azeitonas secas que ficaram presas aos raminhos.

O cobre faz uma película protetora por cima das folhas e das feridas. Aplica-o logo que acabes a apanha, num dia seco, sem vento e sem chuva prevista para as horas seguintes, para que tenha tempo de secar e agarrar. Nas zonas frias, não trates em dia de geada.

Os problemas da oliveira, um a um

Como tratar a oliveira do olho de pavão

O que vês: manchas redondas, castanho-esverdeadas, na página de cima das folhas, muitas vezes com uma auréola amarela à volta. Parecem os "olhos" de uma pena de pavão. As folhas atacadas amarelecem e caem, e uma oliveira despida no fim do inverno dá pouca flor.

De onde vem: é um fungo (Spilocaea oleagina) que passa o ano nas folhas doentes que continuam na árvore. A chuva leva os esporos para as folhas sãs, e a infeção acontece com folha molhada e tempo ameno, ou seja, no outono, nos invernos suaves e na primavera. O calor seco do verão trava-o.

Como tratar: a doença previne-se, porque uma folha manchada já não se cura. Faz o cobre nas duas janelas (depois da apanha e antes da floração) e uma poda de arejamento, para a copa secar depressa depois da chuva. O cobre ainda faz cair as folhas já doentes. Parece mau, mas é bom: o fungo vai embora com elas.

Como tratar a gafa da oliveira

O que vês: manchas castanhas e afundadas na azeitona a amadurecer, às vezes com pontinhos cor de laranja, que são os esporos. A azeitona apodrece, seca e fica mumificada na árvore, e o azeite sai ácido.

De onde vem: é outro fungo (Colletotrichum) e não tem nada a ver com o olho-de-pavão. Passa de um ano para o outro nas azeitonas mumificadas que ficam presas na árvore e nos raminhos secos. Com as primeiras chuvas de outono, a água espalha os esporos para as azeitonas que estão a pintar. A Galega, a variedade tradicional do Centro, é das mais sensíveis.

Como tratar:

Tuberculose (ronha): a doença das feridas

O que vês: tumores rugosos, do tamanho de uma ervilha a uma noz, nos raminhos e nos ramos. Os ramos mais atacados secam.

De onde vem: é uma bactéria (Pseudomonas savastanoi) que vive dentro dos tumores e se espalha com a chuva. Só entra por feridas: cortes de poda, varejo, granizo, rachas da geada e cicatrizes da queda da folha.

Como tratar: um tumor não tem cura, mas a doença trava-se.

Mosca-da-azeitona

O que vês: uma picada minúscula na azeitona e, mais tarde, o buraco por onde sai o adulto. Por dentro, a larva come a polpa.

De onde vem: a mosca (Bactrocera oleae) passa o inverno como pupa, enterrada no solo e nas azeitonas caídas. Os dias muito quentes de julho e agosto abrandam-na. O perigo dispara quando o calor alivia e chegam as primeiras chuvas, em setembro e outubro. Os ataques são piores nos outonos amenos e húmidos.

Como tratar: nunca a trates por calendário. Primeiro vigia-a, depois decide.

Traça-da-oliveira

A traça (Prays oleae) é uma pequena borboleta com três gerações por ano, e cada uma ataca uma parte diferente da árvore:

Num quintal, a traça quase sempre se tolera. Uma armadilha de feromona mostra-te quando está a voar. Se o aviso o indicar, o Bacillus thuringiensis, um inseticida biológico, aplica-se na floração contra a geração das flores.

Cochonilha-negra e fumagina

O que vês: carapaças castanho-escuras a negras, em forma de capacete e com um "H" em relevo, nos raminhos e na página de baixo das folhas. Depois as folhas ficam cobertas de um pó preto, que é a fumagina.

De onde vem: a cochonilha (Saissetia oleae) suga a seiva e larga uma melada, um líquido açucarado. A fumagina é um fungo que vive dessa melada. Não ataca a planta, mas tapa a luz às folhas. As duas gostam de copa fechada, humidade, rega a mais e excesso de azoto.

Como tratar:

Passo a passo: o tratamento com cobre depois da apanha

O que precisas: um produto à base de cobre autorizado para a oliveira (calda bordalesa ou outro, de preferência autorizado em modo biológico), um pulverizador limpo, luvas, óculos, máscara e roupa comprida.

  1. Acaba a apanha e tira da árvore as azeitonas secas e os raminhos partidos ou mortos.
  2. Lê o rótulo com calma: dose, número de aplicações e intervalo de segurança.
  3. Vê o aviso da Estação de Avisos da tua DRAP, que diz se a época já chegou à tua zona.
  4. Escolhe o dia: seco, sem vento, sem chuva prevista para as horas seguintes e sem geada.
  5. Prepara só o que vais gastar nesse dia, na dose do rótulo.
  6. Molha a copa toda, por fora e por dentro, as folhas de cima e de baixo, até ficarem bem molhadas mas sem encharcar.
  7. Limpa o chão, sobretudo das azeitonas caídas, onde a mosca e a gafa passam o inverno.
  8. Lava o material e aponta a data num caderno.
  9. Marca na agenda o cobre depois da poda e a segunda janela, antes da floração.

Erros comuns a evitar

Calendário de tratamentos da oliveira, por região

Calendário de tratamentos da oliveira no Norte

Em Trás-os-Montes e no Douro, as geadas e o granizo abrem feridas, e é aí que entra a tuberculose. Depois de um temporal destes, aplica cobre logo que haja um dia seco. A apanha vai muitas vezes até dezembro ou janeiro, por isso o cobre pós-apanha faz-se no primeiro dia seco e sem geada. A poda fica para o fim da janela, entre março e abril. No Minho há poucas oliveiras, e a humidade faz do olho-de-pavão e da gafa o problema principal. Vê o calendário do Norte.

Calendário de tratamentos da oliveira no Centro

No litoral (Oeste e Beira Litoral) e no Ribatejo, a humidade dá força aos fungos. Onde houver Galega, aplica o cobre antes das primeiras chuvas de outono e não atrases a apanha. Na Beira Interior e nas zonas altas da Beira Baixa, o ritmo é o do Norte: geada, feridas, e cobre depois dela. Vê o calendário do Centro.

Calendário de tratamentos da oliveira no Sul (Alentejo e Algarve)

Aqui o calor do verão trava os fungos e abranda a mosca. O perigo vem quando chegam as primeiras chuvas de setembro e outubro, por isso põe as armadilhas cedo. Como a apanha começa mais cedo, o cobre pós-apanha também. Nas oliveiras regadas e com copa densa, atenção à cochonilha-negra e à fumagina. Nos fundos de vale húmidos, o olho-de-pavão aparece como no litoral. Vê o calendário do Sul.

Calendário de tratamentos da oliveira na Madeira

As oliveiras de quintal estão nas zonas baixas e quentes, que não têm geada (em altitude há geadas de inverno, mas aí quase não há oliveiras). O inimigo é a humidade, que favorece o olho-de-pavão e a gafa. Mantém as duas janelas de cobre e uma armadilha para vigiar a mosca. As datas vêm dos serviços regionais de agricultura. Vê o calendário da Madeira.

Calendário de tratamentos da oliveira nos Açores

A oliveira é rara e quase sempre serve para conservar. Com tanta humidade, o olho-de-pavão e a gafa mandam. O vento parte raminhos, e isso abre a porta à tuberculose, por isso aplica cobre depois dos temporais. Vê o calendário dos Açores.

Perguntas frequentes

Quando tratar as oliveiras com cobre? Há duas janelas principais: depois da apanha (novembro–dezembro), antes das chuvas fortes, e na primavera, antes da floração. Pelo meio, aplica-o também logo a seguir à poda e depois de granizo ou de geada forte, para proteger as feridas. A data exata vem do aviso da tua DRAP e a dose vem do rótulo.

Como tratar o olho de pavão? Com prevenção: cobre nas duas janelas (depois da apanha e antes da floração) e uma poda que areje a copa. As folhas já manchadas não se curam, mas o cobre ajuda a fazê-las cair e protege as folhas novas.

Como tratar algodão da oliveira? O "algodão" é a psila, um pequeno inseto que se esconde numa espuma branca e cerosa nos cachos de flor, na primavera. Raramente faz estragos que justifiquem tratamento. Areja a copa e deixa as joaninhas trabalhar. Num ataque forte, chega um jato de água ou sabão potássico, segundo o rótulo.

Como tratar de uma oliveira pequena? No primeiro verão, rega-a com regularidade, põe cobertura morta afastada do tronco e um tutor firme. Segue as mesmas janelas de cobre se vives numa zona húmida e vigia a cochonilha. Se ainda a vais plantar, lembra-te de que a oliveira se planta em vaso ou com torrão, nunca a raiz nua. Vês porquê no guia de plantar árvores de fruto.

A fumagina mata a oliveira? Não diretamente. É um fungo que vive da melada da cochonilha e só tapa a luz às folhas. Controla a cochonilha com uma poda de arejamento e, se for preciso, óleo de verão, e a fumagina vai-se embora com a chuva.

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